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Divergir não é discordar: por que o pensamento divergente é o coração da inovação

  • Foto do escritor: Mariana Fernandes
    Mariana Fernandes
  • 30 de mai.
  • 2 min de leitura

Quando alguém na reunião começa a pensar diferente do grupo, a reação costuma ser de desconforto. A divergência é lida como dificuldade, como alguém que não quer colaborar. Mas essa leitura está errada e custa caro para qualquer empresa que queira inovar de verdade.


Quantidade leva à qualidade

Linus Pauling, químico norte-americano vencedor de dois prêmios Nobel, deixou uma frase que virou referência em qualquer conversa sobre criatividade: "Para ter uma boa ideia, você antes precisa ter muitas."


Simples assim. A boa ideia raramente é a primeira. Ela aparece depois que você explorou o suficiente, depois que o óbvio já foi dito e descartado, e o território menos frequentado começa a aparecer.


É exatamente por isso que a divergência é um passo necessário, não um problema a resolver.


O que é pensamento divergente, afinal?

Pensamento divergente é a capacidade de multiplicar perspectivas sobre um mesmo problema. É o oposto do pensamento convergente, que afunila e decide.


Os dois são necessários. Mas a maioria das empresas pula a etapa divergente e vai direto para a convergência, se contentando com a primeira solução que parece razoável. O resultado é previsível: soluções medianas para problemas que mereciam mais.


Como o Design Sprint usa a divergência

O Sprint tem isso no DNA. Antes de qualquer votação ou decisão, existe um momento intencional de expansão: atividades que inspiram, que ampliam o repertório, que trazem referências de fora do contexto imediato.


Algumas formas de criar divergência real num Sprint:

— Montar um time multidisciplinar, com pessoas de backgrounds diferentes, mas com pensamento flexível. Não adianta diversidade de formação se todo mundo pensa igual.

— Trazer speakers com perfis complementares: alguém de fora do mercado, uma perspectiva lateral, um ponto de vista que a equipe não teria sozinha.

— Buscar perfis extremos de consumidor. Sair do público-alvo óbvio e demográfico para se aprofundar em quem usa o produto de forma inesperada. Esses perfis geram os insights mais valiosos.

— Usar o post-it como ferramenta de expressão individual antes da discussão coletiva. Cada pessoa escreve sozinha, sem influência do grupo. Só depois as ideias vão para a parede.


Divergir para depois convergir

O Sprint sempre contempla um momento de convergência, quando as escolhas são feitas, as ideias são votadas e o caminho se define. Mas esse momento só tem valor se a etapa anterior foi rica.


Quantidade leva à qualidade. Divergência leva à originalidade. E originalidade é o que separa uma solução memorável de mais uma ideia que poderia ter vindo de qualquer lugar.

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