Inovação não é novidade: a diferença que muda tudo para uma empresa
- Mariana Fernandes

- há 4 dias
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É comum confundir inovação com novidade. Há décadas as marcas buscam em suas estratégias de marketing inovações que possam gerar compra e diferenciação frente aos concorrentes. Mas grande parte dos segmentos compartilha das mesmas tecnologias, dos mesmos fornecedores, dos mesmos processos. O resultado é uma sucessão de novidades que não perduram, lançamentos que ocupam a pauta por algumas semanas e somem sem deixar rastro.
Isso está mais para atualização de portfólio do que inovação real.
A definição que clareia tudo
Na apresentação da versão brasileira do livro Design Thinking, Tim Brown oferece uma distinção que vale guardar:
"Quando um produto ou serviço é inovador, ele causa impacto na vida das pessoas e transforma para sempre a forma dessas pessoas viverem e trabalharem. Inovação é valor percebido. Há um divisor de águas entre o que é realmente inovador e o que constitui uma novidade passageira."
Inovação transforma comportamento e novidade apenas atualiza a oferta.
O iPhone, por exemplo, foi uma ruptura que mudou como as pessoas se relacionam com tecnologia, informação e uns com os outros. O Uber representou uma reconfiguração do que significa se deslocar numa cidade.
Estes exemplos evidenciam que inovações são estruturais, ao passo que novidades são incrementais.
Por que a distinção importa na prática
Empresas que confundem as duas coisas tendem a investir muito em lançamentos e pouco em transformação real. O ciclo é conhecido: pesquisa de mercado, desenvolvimento de produto, campanha de lançamento, queda de vendas, nova pesquisa, novo lançamento.
O problema não é o ritmo. É a profundidade. Enquanto a empresa está ocupada atualizando o que já existe, o mercado pode estar mudando de lógica, como aconteceu com a Nokia, com a Kodak, com tantas outras.
O desafio do futuro: inovar sem materialidade
O grande desafio das empresas para os próximos anos é inovar sem necessariamente criar novos produtos. Ser relevante sem adicionar mais coisas ao mundo.
Não estamos falando apenas de uma demanda da sustentabilidade, mas sim de uma possível reconfiguração profunda do que cria valor para o consumidor. Experiência, serviço, pertencimento, conveniência, significado. Atributos que não cabem numa embalagem nova, mas que são percebidos e valorizados de forma duradoura.
Inovar nesse território exige um tipo diferente de escuta das pessoas. Entender o que realmente muda a vida de alguém, o que cria memória, o que gera lealdade além do preço.
É para isso que servem processos como o Design Sprint e as expedições com consumidor: não para gerar mais novidades, mas para encontrar onde a inovação real pode acontecer.

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