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Zeitgeist fail: a Kodak inventou a câmera digital e foi à falência assim mesmo

  • Foto do escritor: Dushka Tanaka
    Dushka Tanaka
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Zeitgeist fail: quando uma empresa perde o bonde da própria era.

A história da Kodak é o exemplo mais citado e mais doloroso desse fenômeno. E não é por incompetência, aliás foi exatamente o contrário.


A empresa que inventou o futuro e não soube usá-lo

Em 1975, Steve Sasson, engenheiro da Kodak, inventou a primeira câmera digital do mundo. A tecnologia estava lá, dentro da própria empresa, desenvolvida pela própria equipe.


O que aconteceu depois é um estudo de caso sobre destruição criativa.

A liderança da Kodak decidiu não lançar o produto. A justificativa foi registrada pelo próprio Don Strickland, ex-vice-presidente da empresa: "Nós desenvolvemos a primeira câmera digital, mas não conseguimos aprovação para lançar ou vender por medo dos efeitos no mercado de filme fotográfico."


O medo de canibalizar o próprio negócio paralisou a empresa diante da maior oportunidade de sua história.


O trem passou

Enquanto a Kodak protegia seu mercado de filmes, o mundo migrava para o digital. E quando a empresa finalmente tentou acompanhar a mudança, era tarde: o mercado já havia sido ocupado por outros.


Em 2012, a Kodak pediu falência. Isso depois de ter dominado o mercado fotográfico durante todo o século XX.


O paradoxo cruel: a Kodak faliu exatamente quando as pessoas passaram a tirar mais fotos do que em qualquer outro momento da história. O produto venceu. A empresa que o inventou, não.


O que esse caso ensina

A Kodak não foi derrubada por falta de tecnologia, de talento ou de recursos. Foi derrubada por uma incapacidade de imaginar um futuro diferente do presente que a sustentava.


Isso tem nome: é o que acontece quando uma organização fica tão comprometida com o modelo atual que perde a capacidade de enxergar, ou aceitar, a próxima onda.

Joseph Schumpeter chamou isso de destruição criativa: o novo não pede licença ao antigo. Ele simplesmente o torna irrelevante.


O que isso tem a ver com a sua empresa hoje

Toda organização tem sua versão do filme fotográfico, o produto, o serviço ou o modelo de negócio que sustenta o presente e, por isso mesmo, dificulta a visão do futuro.


A pergunta que vale fazer é: o que sua empresa está deixando de lançar com medo de canibalizar o que já funciona?


Processos de inovação estruturada — como o Design Sprint e workshops de foresight — existem justamente para criar um espaço seguro para fazer essas perguntas antes que o mercado as faça por você.

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